O direito inviolável de nascer


 24/06/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba

Estamos vivendo tempos difíceis, tempos que nos colocam diante de uma deflagrante cultura de morte. Cultura que vai implementando a agenda que não protege a vida nas suas mais variadas fases. E o que fazer? Como cristãos, o que devemos fazer? O Papa Emérito, em certa ocasião, dizia: “Ao defender a vida, não devemos temer a oposição ou a impopularidade”. Tal afirmação deve nos acompanhar juntamente com todo o Magistério da Igreja, que também salvaguarda a vida humana em todos os seus momentos.

Atualmente assistimos à forte onda de países que vão legalizando o aborto. As sociedades vão adotando estilos de vida pautados na ilusão da defesa dos direitos humanos que se distanciam do direito à vida desde a concepção até a morte natural. Não devemos nos calar. O testemunho do Evangelho da vida “impõe-se” a nós, não se trata de escolher o que me agrada, mas de assumir o estilo de vida do discípulo e missionário de Jesus.

Nossas sociedades estão cada vez mais estigmatizadas pelo eclipse do sentido da vida, não se consegue mais reduzir a percepção da gravidade moral do aborto. A vida humana, a todo momento, é posta na lata de lixo que se abeira ao lado de consciências deformadas. E qual a missão da Igreja nesse contexto dramático? É a missão da solidariedade. E é justamente isso que os filhos da Igreja têm feito. Socorrer as mulheres que cometeram aborto é um dever de caridade cristã. E até mesmo quando elas são socorridas, a Igreja, mais uma vez, reafirma que nunca se poderá aceitar as leis favoráveis ao aborto. Reafirmamos a nossa responsabilidade comum e cristã com a pessoa humana, e não importa o mal que ela tenha causado; agimos movidos pela misericórdia com todos, mas também defendemos o valor irrenunciável da vida humana.

Que a Virgem Maria, a Mãe que guardou a vida do seu filho Jesus em todas as suas etapas, favoreça-nos a misericórdia e a esperança. Misericórdia para acolher os que matam a vida, e esperança para nos fazer prosseguir na defesa da vida, mesmo que nos custe a autoimagem e a impopularidade. E no Brasil não podemos nos calar ante à afronta de tentativas de justificativas que querem amordaçar a vida. Devemos, como Igreja, ter uma voz orquestrada e retumbante a guardar o direito inviolável à vida de todo nascituro. Somos chamados a exercer o apostolado misericordioso da verdade, principalmente num mundo que se deixa marcar por inverdades ilusórias, inverdades que são patrocinadas pela agenda da cultura de morte.


Dom Manoel Delson
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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