Carregamos o Menino de Belém


 24/12/2017 - Escrito para o Correio da Paraíba
“O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1). A luz resplandece no meio de nossas trevas! A luz é um Menino! O Mistério do Natal não é somente um “admirar-se” com o nascimento de Deus entre os homens, mas é a celebração da grande Misericórdia de Deus: Deus ama imensamente o homem, e nos dá seu Filho como grande dom de Misericórdia. Santo Agostinho, ao comentar sobre a superação desse “admirar-se” nos diz: “Ficas muito admirado quando dizemos que nasceu de uma Virgem. Não te admires, é Deus: a admiração dê lugar ao louvor. Torne-se presente a fé: acredita, porque aconteceu. Se não acreditares naquilo que aconteceu, permaneces infiel. Dignou-se fazer-se homem: que mais queres?... Estreito era o estábulo: envolvido em panos, foi colocado numa manjedoura. Escutaste-O quando se leu o Evangelho. Quem haverá que não se admire? Aquele que enche o mundo só encontrou lugar num estábulo; colocado na manjedoura, tornou-se alimento para nós...”.
 
O mistério da nossa salvação une vida e morte: o Menino de Belém que caminha a nossa frente e nos toma pela mão é o mesmo que dá a Vida numa cruz e que ressuscita, vencendo as nossas mortes. A luz do Menino de Belém enche o mundo e suas dores da alegria de Deus. Ele é maior do que todos os lugares do mundo, mas, ao nascer, só encontrou lugar na casa do Pão, em Belém. Belém na linguagem bíblica significa “A Casa do Pão”. Aqui já podemos compreender concretamente e, também, com o coração e os sentidos, que Cristo não poderia ter nascido em outros lugares, mas em Belém, naquela cabana, naquele lugar que produz pão. Na Eucaristia, Jesus se dá como alimento aos homens, dando-lhes vida eterna. Belém e Jerusalém não são somente cidades importantes da história cristã, elas são o ápice da história do amor entre Deus e os homens.
 
O caminho da vida exige uma adesão existencial com o Menino de Belém, com Jesus. Não se pode pretender um caminho que não seja o caminho de Jesus. Levamos sobre os nossos ombros aquele que é o próprio caminho, aquele que faz resplandecer a vida e a luz entre os homens. Sua luz brilha nas trevas do egoísmo, das guerras e das ideologias. Tudo isso é muito forte e para além de nossos bons propósitos, e por isso necessitamos contar com a oração daquela que perfeitamente levou Cristo sobre si: a Virgem Maria, a portadora de todas as graças de Deus. O Sim dela carrega a força do Salvador que se tornou a grande Luz.

Dom Manoel Delson
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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